Antes de entender o que fazer durante uma crise de ansiedade, é essencial compreender o que realmente acontece no corpo e na mente. Uma crise de ansiedade é uma resposta intensa do organismo a situações de estresse, medo ou insegurança. Durante uma crise, o corpo ativa o mecanismo de luta ou fuga, liberando hormônios como adrenalina e cortisol, que causam sintomas como taquicardia, falta de ar, tremores e sensação de perda de controle (Harvard)1
Compreendendo o que é uma crise de ansiedade
Um estudo clínico indica que reconhecer e aceitar o episódio, sem resistência, ajuda o cérebro a restaurar o equilíbrio fisiológico e emocional (AAFP)2
“A calma não é a ausência de medo, mas a habilidade de lidar com ele.” — Dr. Lisa Damour
Passo 1: Reconheça os sinais e aceite o momento
A primeira atitude é reconhecer que você está tendo uma crise de ansiedade — sem se culpar e sem lutar contra o que está sentindo. Negar o que acontece pode intensificar os sintomas. Aceitar o momento significa dizer a si mesmo: “Eu estou ansioso (a), e está tudo bem. Isso vai passar.”
Sinais comuns de uma crise de ansiedade
| Sintoma físico | Sintoma emocional |
|---|---|
| Aceleração cardíaca | Medo intenso |
| Falta de ar | Sensação de perda de controle |
| Tremores | Pensamentos catastróficos |
| Sudorese | Irritabilidade e confusão mental |
Nomear e reconhecer o que está acontecendo reduz o medo e comunica ao cérebro que não há perigo real. Essa atitude simples pode encurtar significativamente a duração do episódio (PMC)3.
Passo 2: Respire conscientemente para retomar o controle
A respiração é uma ferramenta poderosa para interromper uma crise. Quando você desacelera a respiração, o corpo entende que o perigo passou. Uma das técnicas mais eficazes é a 4-7-8, desenvolvida pelo Dr. Andrew Weil.
Como praticar a técnica 4-7-8
- Inspire pelo nariz contando até 4.
- Segure o ar por 7 segundos.
- Expire lentamente pela boca contando até 8.
- Repita o ciclo 4 vezes.
Essa técnica reduz a frequência cardíaca, normaliza a oxigenação e ativa o sistema nervoso parassimpático. Diversos estudos confirmam que técnicas de respiração consciente diminuem significativamente os sintomas de ansiedade e estresse (PMC).
Passo 3: Use o foco sensorial para ancorar-se no presente
Durante a crise, o cérebro é dominado por pensamentos de medo. Para sair desse ciclo, é necessário ancorar a mente no presente. Uma técnica eficaz é o método 5-4-3-2-1, que ajuda a reconectar os sentidos com a realidade.
Método 5-4-3-2-1 — Traga-se de volta ao presente
| Etapa | Ação |
|---|---|
| 5 | Observe cinco coisas que você pode ver. |
| 4 | Toque em quatro coisas que você pode sentir. |
| 3 | Ouça três sons ao seu redor. |
| 2 | Identifique dois cheiros. |
| 1 | Saboreie algo ou imagine um sabor agradável. |
Essa técnica — conhecida como grounding — tem resultados comprovados na redução de sintomas físicos e mentais da ansiedade. Ela cria uma sensação de segurança imediata e ajuda o cérebro a sair do estado de alerta exagerado (NIH) (Counselling)4.
Passo 4: Mude o ambiente e use afirmações positivas
Mudar o ambiente físico sinaliza ao cérebro que a ameaça passou. Vá para um local arejado, sente-se ou deite-se confortavelmente. Em seguida, repita afirmações positivas como:
- “Eu estou seguro(a) agora.”
- “Meu corpo sabe se acalmar.”
- “Essa sensação vai passar.”
Essa técnica de autocompaixão e reformulação cognitiva ajuda a interromper pensamentos automáticos negativos e restabelecer o equilíbrio emocional. Estudos demonstram que o uso de afirmações positivas reduz a recorrência de crises de pânico e melhora o autocontrole (AJP)5.
Passo 5: Procure apoio e cuide de seu estilo de vida
Após uma crise de ansiedade, é essencial não apenas se recuperar do episódio, mas também buscar apoio emocional e terapêutico para compreender as causas e desenvolver estratégias preventivas. A ciência mostra que o suporte psicológico contínuo e as mudanças no estilo de vida são pilares fundamentais para a estabilidade emocional a longo prazo.
Pesquisas apontam que a psicoterapia, em especial as abordagens baseadas na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), reduz significativamente a frequência e a intensidade das crises de ansiedade, promovendo maior controle emocional e autoconhecimento (PubMed)6. Já a psicanálise e outras terapias de base relacional ajudam o indivíduo a identificar padrões inconscientes e emoções reprimidas que frequentemente sustentam os sintomas ansiosos (ResearchGate).7
Além disso, estudos mostram que intervenções no estilo de vida, como prática regular de exercícios físicos, alimentação equilibrada, sono adequado e redução de cafeína e álcool, estão associadas a níveis mais baixos de cortisol e menor ativação da amígdala — a região envolvida nas respostas de medo e ansiedade (PMC)8. Essas mudanças sustentam o equilíbrio entre corpo e mente e fortalecem a capacidade de regulação emocional.
Hábitos que reduzem a ansiedade a longo prazo
| Estratégia de Autocuidado | Efeito Comprovado |
|---|---|
| Praticar atividade física leve diariamente | Diminui níveis de cortisol e melhora o humor (NIH) |
| Dormir entre 7 e 8 horas por noite | Regula neurotransmissores ligados ao estresse (Harvard Health) |
| Reduzir o consumo de cafeína e álcool | Evita picos de ansiedade e irritabilidade (Mayo Clinic) |
| Reservar momentos de respiração e lazer durante o dia | Diminui tensão muscular e melhora foco (PMC) |
| Buscar psicoterapia regularmente | Fortalece a resiliência emocional (APA) |
Essas práticas não apenas reduzem o risco de novas crises, mas também promovem autonomia emocional. Cuidar do corpo, da mente e das emoções é um ato de prevenção e maturidade psicológica.
A terapia — seja pela psicologia, pela psicanálise ou por abordagens integrativas — oferece ferramentas para compreender os gatilhos emocionais e reconstruir um senso de segurança interna. Essa prevenção terapêutica é uma das formas mais eficazes de impedir que a ansiedade se torne crônica.
Porém, caso os sintomas persistam ou se agravem, o ideal é buscar ajuda de um médico especialista, como psiquiatra ou clínico, para uma avaliação detalhada, e se necessário, tratamento medicamentoso supervisionado. A combinação entre acompanhamento médico e psicoterapia tem se mostrado a estratégia mais eficaz para o controle duradouro dos transtornos de ansiedade (Harvard Medical School)9.
A ansiedade não precisa ser um inimigo, afinal de contas não é possível eliminá-la por completo, mas é possível mantê-la em níveis saudáveis — e no mais, ela pode se tornar um convite à transformação e ao cuidado.
O equilíbrio entre corpo e mente é o que sustenta o controle emocional. O autocuidado diário tem impacto direto na prevenção de recaídas e melhora da saúde mental (Mayo)10.
Como aplicar os aprendizados no dia a dia
Os cinco passos acima podem ser incorporados à rotina com pequenas ações práticas que fazem diferença real.
No trabalho
Faça pausas curtas, respire profundamente e evite sobrecarga. Antes de reuniões importantes, use a técnica 4-7-8 para estabilizar o corpo e clarear a mente (PMC).
Nos relacionamentos
Comunique seus sentimentos com autenticidade e gentileza. A ansiedade tende a diminuir quando há espaço para expressão emocional segura (Harvard).
Na vida pessoal
Reserve tempo para lazer, meditação e relaxamento. Registre pensamentos em um diário emocional e observe seus gatilhos. Pequenos rituais de autocuidado, como caminhar ou ouvir música calma, reduzem o estresse acumulado (NIH)11.
Essas práticas fortalecem a autoestima e criam um ciclo positivo de bem-estar e estabilidade emocional.
FAQ – Perguntas Frequentes
1. O que fazer durante uma crise de ansiedade quando estou sozinho?
Respire profundamente, pratique o método 5-4-3-2-1 e repita afirmações de calma. A crise é temporária e vai passar.
2. Quanto tempo dura uma crise de ansiedade?
Em média, entre 10 e 30 minutos. A duração pode variar conforme a intensidade do estresse e a prática de técnicas de controle.
3. Posso evitar uma crise de ansiedade?
Sim. Com hábitos saudáveis e acompanhamento psicológico, é possível reduzir a frequência e intensidade das crises.
4. É perigoso ter muitas crises de ansiedade?
Crises repetidas podem causar desgaste emocional e físico, exigindo acompanhamento profissional.
5. A respiração realmente ajuda a controlar a ansiedade?
Sim. A respiração consciente ativa o sistema parassimpático, desacelerando o ritmo cardíaco e reduzindo o estresse.
6. Posso usar medicamentos durante uma crise?
Apenas sob prescrição médica. O tratamento deve ser supervisionado por um psiquiatra.
7. A alimentação influencia na ansiedade?
Sim. Reduzir açúcar e cafeína e aumentar o consumo de alimentos naturais ajuda na regulação emocional
8. Crianças e adolescentes também têm crises de ansiedade?
Sim. Acolher, escutar e buscar apoio profissional são atitudes fundamentais para o desenvolvimento emocional saudável.
Conclusão
Saber o que fazer durante uma crise de ansiedade é um ato de autocompaixão e maturidade emocional. Aplicar esses cinco passos — reconhecer, respirar, ancorar-se, mudar o ambiente e buscar apoio — é um caminho seguro para recuperar o equilíbrio.
Lembre-se: a ansiedade não define quem você é; ela apenas sinaliza que algo precisa de atenção e cuidado.
Pergunta para reflexão:
“Você está disposto(a) a praticar, hoje, um pequeno gesto de autocuidado que pode mudar a forma como lida com sua ansiedade?”
Referências científicas / teóricas recomendadas
- Harvard – Managing Panic and Anxiety ↩︎
- AAFP – Generalized Anxiety Disorder and Panic Disorder in Adults ↩︎
- PMC – Clinical Practice Guidelines for the Management of Anxiety and Panic Disorder ↩︎
- Counselling – Grounding for Anxiety: Evidence-Based Practice ↩︎
- AJP – Psychotherapies for Generalized Anxiety Disorder ↩︎
- PubMed – Cognitive behavioral therapy for anxiety and related disorders ↩︎
- ResearchGate – Evidence-Based Psychodynamic Treatments for Anxiety Disorders: A Review ↩︎
- PMC – Healthy Lifestyle Interventions Augmenting Psychotherapy in Anxiety and PTSD ↩︎
- Harvard Medical School – Social anxiety disorder. ↩︎
- Mayo – Anxiety Disorders: Symptoms and Treatment ↩︎
- NIH – Mindfulness Exercises and Physiologic Stress ↩︎





